O mercado de energia elétrica é um dos mais importantes do país, pois o recurso é necessário para a maioria das atividades que o homem realiza hoje em dia, seja para trabalhar, seja na sua moradia. A energia é utilizada para aquecer os lares ou esquentá-los, abastece os eletrodomésticos, as máquinas nas indústrias, os equipamentos nos hospitais, as escolas etc.

Para que você fique por dentro do assunto, criamos este post completo, em que trataremos as principais informações sobre o mercado de energia elétrica no Brasil. Siga conosco e aproveite a leitura!

Como funciona o mercado de energia elétrica no Brasil

Esse mercado surgiu no Brasil em 1879, quando Dom Pedro II contratou Thomas Alvas Edison para introduzir a tecnologia de lâmpadas incandescentes na iluminação pública. No ano de 1883, entrou em funcionamento a primeira usina hidrelétrica do país, localizada na cidade de Diamantina e até hoje, os rios são as principais fontes de energia.

Ao longo dos séculos XX e XXI, vários outros tipos de produção de energia foram sendo adotados pelo governo brasileiro, como termoelétricas, usinas nucleares, energia solar e eólica, além do maior investimento em hidrelétricas, com destaque para Itaipu, a maior usina hidrelétrica do mundo até os dias atuais.

O aumento da demanda e a consolidação da energia elétrica trouxe a necessidade da criação do mercado de energia no Brasil, de responsabilidade tanto do próprio governo quanto do setor privado. O primeiro atua por meio da construção para a geração de energia elétrica, por exemplo, assim como por meio da regulamentação do setor, que, atualmente, se encontra sob responsabilidade da ANEEL.

Entre as ações do setor privado, destacamos a gestão da energia elétrica, auxiliando empresas para que consigam gerir de forma eficiente esse recurso tão importante. Para que isso seja possível, é importante que os gestores das indústrias e empresas tenham um amplo conhecimento sobre esse mercado.

O caminho percorrido pela energia elétrica

O mercado de energia começa nas usinas geradoras de energia. No Brasil, a maior parte da energia gerada provém das hidrelétricas. Elas correspondem a, praticamente, 70% da capacidade de geração instalada no país. A segunda fonte que mais gera energia para o país são as termelétricas, com 14%, em terceiro lugar e com 8%, está a energia eólica.

Na cadeia produtiva do mercado de energia elétrica, podemos destacar as distribuidoras de energia e seus agentes comercializadores, que não produzem energia, mas que podem atuar no mercado livre, comprando ou vendendo energia. 

Dessa forma, os investidores que atuam no mercado de energia elétrica operam por meio de licenças, concessões ou autorizações. Vale ressaltar que essas autorizações são temporárias, com possibilidade de renovação. Para operar, as empresas do setor estão submetidas a uma série de regras de várias instituições, sendo a ANEEL a principal.

Além disso, o Operador Nacional do Sistema Elétrico tem importante papel, pois controla o estoque nas usinas hidrelétricas e faz a previsão da vazão dos rios, além de liberar maior uso das fontes de geração térmica para suprir a demanda, caso a produção nas hidrelétricas esteja abaixo do necessário.

Outros órgãos que devemos destacar são a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e o Sistema Interligado Nacional (SIN).

Principais números do mercado

Ao longo deste artigo, apresentamos alguns dados para os quais você deve ficar atento se quiser se inteirar no mercado de energia elétrica, como:

Entretanto, melhor do que decorar dados, é importante que você saiba como eles são compostos e quais são os meios de divulgação. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) coleta e classifica a carga e número de consumidores, utilizando dois sistemas para tal: o Sistema de Acompanhamento de Mercado (SAM) e o SIMPLES (Sistema de Informações de Mercado para o Planejamento do Setor Elétrico).

O Anuário Estatístico de Energia Elétrica dispõe de dados relacionados ao consumo de energia elétrica na rede de distribuição. O documento é feito a partir da análise de dados coletados e consolidados pela EPE. Esses dados são coletados todos os anos, pois a empresa tem o objetivo de manter os dados sobre o assunto sempre atualizados.

As estatísticas consolidam as informações públicas da Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica. O trabalho é resultado da cooperação entre os agentes do mercado de energia, sejam eles os fornecedores, sejam eles os consumidores. Outro órgão que auxilia nessa construção é a Comissão Permanente de Análise e Acompanhamento do Mercado de Energia Elétrica (COPAM), mas com supervisão realizada pela EPE.

Outro ponto importante a ser destacado é a criação do Sistema de Acompanhamento de Medições Anemométricas (AMA), que consiste em um aplicativo para computadores. Esse aplicativo tem como objetivo realizar o registro das medições anemométricas e climatológicas fornecidas pelos parques eólicos que ganham os leilões de energia elétrica, tanto os de compra quanto os de venda.

Esses leilões são promovidos, de forma geral, pelo Governo Federal, por meio do Ministério de Minas e Energia. As medições consistem em uma grande fonte de dados para estudos sobre a energia eólica. Entretanto, não se resumem a isso. O Anuário Estatístico de Energia Elétrica e a Resenha Mensal de Energia Elétrica fornecem subsídios completos para o estudo do mercado.

Situação atual com relação à produção e distribuição de energia elétrica

Como vimos, a energia produzida no Brasil tem diversas fontes: hidrelétricas, termelétricas, usinas nucleares, usinas eólicas e solares etc. Entretanto, a principal fonte ainda é a energia obtida por meio das hidrelétricas, principalmente, devido à capacidade dessas usinas em gerar energia, além da quantidade de rios caudalosos que o Brasil apresenta.

Além disso, esse tipo de usina geradora de energia dispõe de um amplo incentivo governamental, desde o Império, quando foi criado o primeiro complexo desse tipo.

Impacto ambiental e geração de energia sustentável

Maior usina do mundo em geração de energia, a Itaipu foi construída durante o regime militar e deixou milhares de ribeirinhos desabrigados, além de causar vários impactos à flora e fauna local. Dessa forma, urge que sejam debatidas novas soluções para a questão energética no Brasil, pois, apesar de a hidrelétrica produzir energia renovável, não pode ser considerada sustentável, porque ela afeta severamente o meio ambiente no qual é instalada.

Nos últimos anos, o setor de energia elétrica tem se diversificado quanto à produção, sobretudo, em razão do avanço da tecnologia das fontes de energia renováveis, como a solar e eólica. Além do mais, a preocupação da sociedade em relação à sustentabilidade impulsionou esse começo de mudança de paradigma no nosso mercado de energia elétrico.

As recentes mudanças nesse mercado

Outro ponto que devemos destacar como protagonista da mudança no cenário elétrico nacional são as empresas e a política de energia elétrica nacional a partir da década de 1990. Com as mudanças estruturantes que ocorreram no mercado de energia elétrica, como a criação do Mercado Livre, aumentou-se a competitividade e eficiência do setor.

Levantamentos recentes apontam que o Mercado Livre já corresponde a 30% da energia consumida no Brasil, por exemplo.

A geração de energia é realizada nas usinas hidrelétricas e termelétricas de forma majoritária. Após isso, a energia é enviada até as distribuidoras, que têm autorização para realizar a intermediação dela até o consumidor final, cobrando uma taxa pelo serviço acrescido das condicionantes externas do mercado. Essas empresas podem ser públicas ou privadas, e costumam variar de acordo com cada estado.

Como é gerada a energia elétrica

Várias são as fontes que podem gerar energia para o nosso consumo. Entre elas, podemos citar a água, a lenha, o carvão, o petróleo, o ar e o sol. Dessa forma, as usinas geradoras de energia têm o papel de transformar a energia desses elementos em eletricidade, o que varia de acordo com cada fonte. Como a maior parte da energia no Brasil é produzida por hidrelétricas, usaremos esse exemplo.

Nas hidrelétricas, a força da água do rio é utilizada no processo de geração. A usina é construída em um rio e, assim, quanto maior a sua vazão, mais eficiente será a usina. Após a construção do complexo, forma-se um lago, que, junto com a barragem, casa de força, subestação elevadora e linhas de transmissão, forma a estrutura da hidrelétrica.

A formação do lago, também chamada de reservatório, é uma das principais causas do alagamentos e danos ambientais, citados anteriormente como uma das críticas a esse tipo de geração de energia. Entretanto, falando de forma prática sobre o tema, esse lago é criado após a construção da barragem, que serve para reter a água do rio.

Nessa barragem, é construído o desaguadouro da usina, que funciona como uma pequena abertura pela qual deve sair o excesso da água do reservatório em tempos de chuva. Para produzir energia, a água sai do reservatório e é conduzida com muita pressão para os tubos até as turbinas e geradores, que ficam localizados na casa de força.

A pressão da água movimenta as pás, responsáveis por criar um campo magnético que produz eletricidade. Logo em seguida, para que a energia chegue às cidades, indústrias e ao campo, é necessário que seja aumentada a voltagem. Para isso, são utilizados os transformadores elevadores das subestações.

A energia elétrica é transportada, então, por meio de linhas de transmissão. Contudo, para chegar até as residências, a tensão é rebaixada novamente nas subestações localizadas na cidade e chega até as residências por meio de redes de distribuições locais, com postes, cabos e transformadores.

De que forma a energia elétrica é transmitida

Estação geradora 

Como já falamos neste texto, a energia elétrica pode ser produzida a partir de diversas fontes, sendo as hidrelétricas as principais geradoras no Brasil. Dessa forma, o primeiro passo e protagonista da transmissão de energia elétrica são as hidrelétricas.

Subestações de transmissão

A energia produzida nas usinas sai direto para as estações de transmissão, em que passa por transformadores para aumentar a voltagem, operação necessária para que consiga chegar até a sociedade civil. Depois disso, a energia é conduzida para as cidades e indústrias por meio de linhas de alta tensão, que podem ser avistadas comumente nas estradas, por exemplo.

Linhas de transmissão

São torres altas de tensão que levam a energia elétrica por longas distâncias. Para reduzir as perdas de energia durante o caminho, ela é transmitida com uma grande voltagem. Por conta disso, as linhas de transmissão são áreas em que não é possível construir nenhum elemento, desde casas, comércios, indústrias ou praças.

Subestações de distribuição

A eletricidade passa pelos transformadores de tensão nas subestações para que tenha a sua potência diminuída e, assim, possa ser transmitida para as residências, comércios, escritórios e indústrias de pequeno porte. Só após esse procedimento, ela é enviada para a rede de distribuição.

Fiação dos postes 

Após essa etapa, a energia passa para a fiação dos postes, em que é novamente submetida a uma diminuição da voltagem. Após o procedimento, passa pela fiação (subterrânea ou aérea), até chegar às residências, escritórios e comércios.

Consumidor final

Nos interruptores e tomadas de nossas casas, escritórios, ou comércios, a energia fica disponível para utilização no mesmo momento em que é acionada, tornando possível a utilização de equipamentos eletrônicos, iluminação, carregamento de aparelhos como celulares e notebook etc.

Quem é responsável pela distribuição da energia elétrica

A distribuição é realizada pelas empresas distribuidoras de energia elétrica, e elas podem ser públicas ou privadas. Assim como ocorre com a transmissão, a distribuição de energia é realizada por fios condutores, equipamentos de mediação, controle e proteção, além dos transformadores.

O sistema de distribuição é bastante ramificado, amplo, dinâmico e complexo, pois precisa chegar a toda a população, que se encontra espalhada por todos os cantos desse país. Podemos destacar a composição da rede de destruição por meio das linhas de alta, média e baixa tensão. Dessa forma, a energia distribuída varia de acordo com a potência adequada. Podemos dividi-las em redes elétricas primárias e secundárias.

Redes elétricas primárias

Essas redes são de média tensão. Têm como objetivo distribuir a energia e também abastecer as grandes e médias empresas, além das indústrias, que, por demandarem maior quantidade de energia, têm prioridade no acesso à rede.

Redes elétricas secundárias

Essas redes de baixa tensão atendem principalmente os consumidores residenciais, escritórios, iluminação pública, e pequenos estabelecimentos comerciais. No país, existem cerca de 80 milhões de Unidades Consumidoras (UC), que nada mais são do que pontos de entrega de energia com medição individualizada, o que corresponde a um único usuário).

A maior parte dessas unidades consumidoras, cerca de 85%, consiste em residências. Apesar disso, as indústrias são responsáveis por 35% por consumo de energia, o que se explica em razão do consumo de energia das máquinas industriais, como as caldeiras.

O processo histórico de urbanização e industrialização norteou as redes de transmissão e distribuição do país, de forma que os maiores centros urbanos e regiões mais industrializadas apresentam maior consumo de energia elétrica.

Como a energia elétrica é comercializada

O comércio de energia elétrica se divide, basicamente, em dois setores: o Ambiente de Contratação Regulada e o Mercado de Curto Prazo. Falaremos brevemente sobre cada um deles a seguir.

Ambiente de Contratação Regulada

Os leilões são regulamentados e efetuados pela CCEE, cumprindo uma norma da ANEEL. Dessa forma, ocupa um papel fundamental no Ambiente de Contratação Regulada — ACR.

Os compradores e investidores do ramo de energia, que participam dos leilões, formalizam a sua participação por meio de contratos registrados e acompanhados do ACR. Nos leilões definidos pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), os leilões são realizados de forma direta pela ANEEL.

Os contratos estabelecidos têm uma regulação específica para aspectos como submercado de registro de contrato, vigência de suprimento e preço da energia. Eles são passiveis de alterações bilaterais dos agentes envolvidos, desde que isso seja feito de comum acordo.

Entre os principais contatos existentes no mercado de energia elétrica, podemos citar:

Mercado de Curto Prazo

Todos os contratos de compra e venda devem ser registrados no CCEE, independentemente se eles forem celebrados com aval do ACR ou CL. Esse órgão realiza a fiscalização constante da quantidade de energia consumida e produzida pelos agentes do setor.

As diferenças encontradas, sejam elas negativas, sejam positivas, são contabilizadas para que, posteriormente, seja feita a liquidação financeira no Mercado de Curto Prazo. Além disso, ocorre a valorização no Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).

Desse modo, o Mercado de Curto Prazo pode ser definido como uma seção do CCEE, em que são contabilizadas as divergências entre os montantes de energia elétrica encontrados no setor pelos agentes e consumidores. Tendo isso em vista, a fiscalização serve para regular e verificar os valores atribuídos a cada um dos agentes. Vale ressaltar que, nesse mercado, não há contratos, mas contratação multilateral.

Como esse mercado é fiscalizado e regulamentado

Como falado anteriormente, o comércio de energia elétrico é regulamentado no país, ainda que no sistema de mercado livre. Em especial, as diretrizes são estabelecidas pelos órgãos regulamentadores, como a ANEEL e CCEE. Destacamos abaixo os principais itens que você deve conhecer sobre a regulação do setor:

Além disso, é importante que você compreenda o conceito de mercado livre de energia. Como o próprio nome sugere, é um setor da iniciativa privada, criado e regulamentado durante a década de 1990, que permite que investidores e consumidores participem ativamente da compra e venda de energia elétrica de forma direta, no Ambiente de Contratação Livre.

O Ambiente de Contratação Regulada, também existente no nosso mercado de energia, ocorre quando os consumidores estão presos à compra de energia das concessionárias e distribuidoras, sem que haja a liberdade e concorrência entre empresas distintas. Dessa forma, quem opta pelo mercado livre de energia tem a possibilidade de comprar energia diretamente de empresas ou geradores comercializadores.

Sendo assim, o mercado de energia elétrica é bastante complexo e dinâmico, com diversas variáveis interferindo em seu funcionamento. Entre elas, destacamos aqui no texto que a política, clima e até mesmo a economia interferem de alguma forma no comércio e produção da energia elétrica.

O Brasil tem mais de 100 anos nesse mercado e a produção de energia acompanhou o processo de urbanização e industrialização no país, tendo se consolidado primeiro nos grandes centros urbanos do litoral e sudeste.

Atualmente, a energia se faz presente em quase todo o território nacional, e é um importante instrumento de cidadania e inclusão social. Para participar do mercado de energia elétrica, seja na condição de investidor, seja como um consumidor, especialmente, para o caso de grandes empresas e indústrias, é necessário se inteirar sobre o assunto.

Você viu ao longo deste texto as principais informações relevantes que deve levar em consideração para se tornar um especialista no mercado. Além disso, vale a pena entrar em contato com empresas renomadas e com experiência no setor do mercado de energia elétrica, caso queira gerir e organizar melhor os gastos dessa natureza na sua empresa ou indústria.

Gosto deste texto que preparamos sobre o mercado de energia elétrica? Se quiser saber mais, entre em contato conosco! Podemos te ajudar a tomar decisões e tirar as suas dúvidas.

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