Térmicas operando na base e importação de energia da Argentina e Uruguai estão entre as medidas adotadas pelo Governo.

A crise hídrica que assola o país – novamente – está ganhando representatividade nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, de modo que o Ministério de Minas e Energia decidiu criar uma “sala de situação” para acompanhar o suprimento de energia no país de modo a tentar preservar o volume dos reservatórios sem prejudicar o abastecimento energético.

O grupo foi criado após o alerta do Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e de outros órgãos ligados ao Ministério acerca da maior crise hidrológica dos últimos 91 anos.

Entendendo a crise energética

Entre setembro de 2020 e abril de 2021, os reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste receberam o menor volume de chuvas dos últimos 90 anos, desde quando essas informações começaram a ser registradas, em 1931. Ocorre que, tais reservatórios representam 70% da capacidade de armazenamento de águas do país.

Segundo o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico – CMSE, em abril, o volume dos reservatórios chegou no menor nível verificado para esse mês desde 2015.

Sendo assim, com o término do período chuvoso no Sudeste e Centro-Oeste e com os baixos volumes armazenados nos reservatórios, o CMSE reforçou a necessidade de adoção de medidas mais efetivas na busca pelo equilíbrio do abastecimento energético, razão pela qual acionou geração termelétrica fora da ordem de mérito além da importação de energia da Argentina e Uruguai, sem limitação de quantidade e preços – desde que respeitadas restrições operativas de forma a minimizar o custo operacional global do sistema elétrico.

Consequências

Com a crise hídrica que estamos vivenciando e medidas emergenciais sendo adotadas pelos órgãos setoriais para garantir o suprimento energético, a pressão sobre as tarifas de energia de todos os consumidores é fato certo. Não haverá como fugir de um aumento tarifário expressivo motivado, notadamente, pelo acionamento de térmicas operando na base fora da ordem de mérito, o que encarece o custo operativo do sistema.

Mercado Livre em alta

Frente a este cenário, o mercado livre de energia volta a ganhar maior relevância. Já existe uma tendência identificada de consumidores de pequeno porte, ainda ligados às distribuidoras, de maior procura por informações e pedidos de cotações para iniciar seus processos de migração ao mercado livre de energia, apesar de os preços em ambos os mercados, regulado e livre, estarem em alta devido à conjuntura nacional.

Diante disso, o setor elétrico deverá vivenciar mais um ano de altas adesões ao mercado livre. Segundo dados da CCEE, em 2021 o volume total de migrações já é o segundo maior da história, com 149, atrás somente do ano recorde de migrações que ocorreu em 2016, que contou com 192.

Independentemente do cenário enfrentado, a CPFL Soluções estará sempre ao lado dos nossos clientes oferecendo a segurança necessária.

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